Cannabis Medicinal

História, Subespécies e Indicações de Tratamento

Conhecida por grande parte da população mundial, a Cannabis é alvo de discussão desde que a sua descoberta para fins medicinais foi reconhecida. Muito em função do preconceito, em diversas partes do planeta, ela ainda não é aceita nem para o tratamento de doenças e muito menos para o uso recreativo. No Brasil, o acesso é permitido desde 2015, quando famílias pressionaram a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para conseguirem a obtenção do medicamento de maneira legal. Somente em 2019 a Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestou posição favorável ao uso terapêutico da Cannabis.

Hoje já é possível encontrar em alguns países pessoas que conseguem se tratar legalmente com a Cannabis medicinal. Mas nem sempre foi assim. Apesar de historicamente ela ser utilizada para as mais diversas finalidades, como em diferentes religiões e na indústria têxtil, foi a partir da década de 60, quando quimicamente seu uso foi comprovado na medicina, que o preconceito acerca do tema começou a aparecer.

Essa nova fase na história da planta se iniciou, quando em 1963 o químico israelense, Raphael Mechoulan, descobriu a possibilidade da extração dos canabinoides na planta para uso na medicina moderna. De maneira geral, os canabinoides são substâncias presentes na Cannabis e são os componentes medicinais presentes na estrutura da planta que são usados para o tratamento de doenças. Os mais conhecidos e estudados hoje são o canabidiol (CBD) e o tetra-hidrocanabinol (THC).

Cada uma dessas substâncias pode ser encontrada na planta em maior ou menor quantidade, dependendo de qual das três subespécies da Cannabis – definidas por estudos científicos – for feita a extração. Essas três subespécies se adaptaram em regiões diferentes do planeta devido ao clima, por isso existe a diferença de quantidade de canabinoide em cada uma.

A Cannabis sativa, por exemplo, tem mais facilidade de crescimento em lugares com bastante sol e climas quentes, como África, América Central e algumas partes da Ásia. Tem maior concentração de THC e doses mais baixas de CBD.

A Cannabis indica é mais proveniente de climas montanhosos, principalmente na região da Turquia e Afeganistão e nas cordilheiras que ali existem. Elas crescem mais rápido que a sativa e possuem níveis mais altos de CBD e mais baixos de THC. Por último, a Cannabis ruderalis se adapta principalmente em ambientes extremos, como regiões do Himalaia e Sibéria. Os níveis de THC e CBD nesta subespécie são muito baixos para tentativa de qualquer uso medicinal. Seu potencial é mais focado na fabricação de papel, cordas, óleos, alimento animal e outros.

Os dois compostos citados (CBD e THC) são utilizados nos tratamentos das mais variadas doenças. O CBD, popular por seu efeito anticonvulsivo e relaxante, é indicado para pacientes que sofrem de condições de saúde variadas, como insônia, dores de cabeça e musculares. O THC, por ter um efeito mais estimulante, é utilizado mais no campo de doenças como ansiedade, dores crônicas (fibromialgia) e epilepsia.

Por se tratar de um medicamento, é fundamental ser o critério do médico, que prescreveu a receita, saber qual recomendação deva ser tomada.

Dr. Daniel Kirchhoff

Neurocirurgião

Neurocirurgião titulado pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia

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